O Flamengo foi sentenciado pela Justiça do Trabalho a reintegrar o ex-funcionário Benedito Ferreira, que trabalhou como segurança do clube por 14 anos e teve participação ativa no resgate das vítimas durante o incêndio que atingiu o Ninho do Urubu, em fevereiro de 2019. A decisão judicial, em primeira instância, também determina que o clube pague uma indenização que ultrapassa os R$ 600 mil.
Segundo divulgado pelo portal “ge”, o valor total da condenação inclui R$ 100 mil por danos morais e mais R$ 500 mil por danos materiais, além da obrigação do Flamengo pagar pensão vitalícia a Benedito até que ele complete 78 anos de idade. O clube tem pouco mais de uma semana para apresentar recurso à decisão.
A demissão de Benedito ocorreu em 2022, após mais de uma década de serviços prestados ao Rubro-Negro. Desde então, ele moveu duas ações contra o clube: uma ainda enquanto trabalhava, em busca de direitos trabalhistas e previdenciários, e outra depois de sua dispensa, alegando agravamento de problemas de saúde decorrentes do exercício da função.
Clube não comunicou vínculo entre afastamento e tragédia ao INSS
Um dos principais pontos levantados pela defesa de Benedito é que o Flamengo não teria informado ao INSS a relação entre o seu afastamento e o trauma vivido no incêndio de 2019. De acordo com o processo, a omissão do clube prejudicou o trabalhador tanto no aspecto financeiro quanto no acompanhamento médico adequado.
Na ação judicial, um laudo pericial apontou que Benedito sofre de transtorno depressivo, transtorno de adaptação e transtorno de pânico. O documento técnico ainda registrou a presença de ideação suicida e confirmou o agravamento do quadro psicológico do ex-funcionário.
O perito indicado pela Justiça foi categórico ao afirmar que a atuação de Benedito no Flamengo contribuiu diretamente para o surgimento ou piora das doenças diagnosticadas. O magistrado responsável pela sentença também destacou que o clube agiu de forma incorreta ao demitir o funcionário, mesmo sabendo que ele estava em tratamento por uma condição grave e relacionada ao trabalho.
Atuação no resgate de vítimas durante a tragédia de 2019
Benedito Ferreira teve papel fundamental durante o incêndio que atingiu o CT do Ninho do Urubu. Na ocasião, ele participou do resgate de três jovens atletas das categorias de base. A tragédia vitimou dez garotos e deixou marcas profundas em todos os envolvidos. O laudo pericial ainda ressaltou que Benedito está atualmente “inapto com restrição” para exercer as mesmas funções que realizava ou atividades similares.
O caso reacende o debate sobre a forma como o clube tem lidado com profissionais envolvidos em situações de extrema gravidade, como foi o incêndio de 2019, que permanece como uma das maiores tragédias do futebol brasileiro.













