A polêmica envolvendo a desistência do Flamengo na contratação do atacante irlandês Mikey Johnston continua causando barulho nos bastidores e entre os torcedores. O recuo do clube, confirmado nesta segunda-feira (7), provocou reações divididas na Nação Rubro-Negra — enquanto parte entende a decisão como prudente, outra vê como uma contradição em relação ao discurso de profissionalismo prometido por Luiz Eduardo Baptista, o Bap.
Em meio à discussão, torcedores resgataram uma entrevista concedida por Bap ainda durante sua campanha presidencial, no programa “Flow Sport Club”. No vídeo, que voltou a circular nas redes sociais após o recuo do Flamengo, o atual presidente fala sobre o papel do departamento de scout e critica a influência da opinião popular em decisões técnicas.
“Todo torcedor vê três minutos de futebol e acha que descobriu um jogador bom para o seu time. Quando você vê o pessoal de scout, como eles analisam, fica com vergonha. Olham dois anos da vida do cara, lado psicológico, atacando, defendendo, nos primeiros 30 minutos, entre 30 e 60”, declarou Bap na época.
No mesmo trecho da entrevista, ele citou um caso específico — sem revelar o nome do atleta — em que a análise do scout impediu a contratação de um jogador que não se encaixava no estilo de jogo do Flamengo, mesmo que tivesse agradado a muitos torcedores.
“Vou dar um exemplo de um jogador que a gente estava analisando. Pedimos ao cara para analisar, ele falou: ‘Do jeito que o Flamengo joga, esse cara só pode jogar uma hora. Depois dos dois períodos de 30 minutos, fica lento. Nem vai, nem volta’”, relembrou o dirigente.
Bap também destacou o uso de ferramentas avançadas na avaliação de atletas e reforçou a importância de confiar no trabalho dos profissionais do clube. “‘Se eu fosse scout do outro time, mandaria botar um jogador rápido em cima dele nos últimos 60 minutos.’ Você fala assim: de onde o cara tirou isso? Ele olhou dois, três anos. Tem software, compara”, disse.
BAP falando sobre análise de scout durante a campanha, outubro de 2024
na teoria é lindo, mas na prática ele teve que vetar a primeira contratação do novo departamento pq a repercussão não foi boa pic.twitter.com/0NVFN4DeGD
— Broca (@alexcrfla) July 7, 2025
Por fim, o presidente do Flamengo fez uma crítica direta à ideia de que assistir muitos jogos transforma torcedores em especialistas. “Mas a gente acha que, porque assistimos a 500 horas de futebol, que enxergamos e conhecemos mais do que os caras. A gente não conhece”, concluiu.
A entrevista, que até então passava despercebida, voltou à tona justamente no dia em que a desistência por Johnston veio à público. Parte da torcida vê incoerência entre o discurso de Bap — que pregava decisões baseadas em dados e análises técnicas — e o recuo na negociação, atribuído à pressão externa.
Com o ambiente político do clube já desgastado e desconfianças em relação ao diretor José Boto em alta, o caso Mikey Johnston virou mais um capítulo da turbulência nos bastidores da Gávea.













