O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, participou nesta quinta-feira (9) de um debate promovido pela Associação Comercial do Rio de Janeiro, dentro do Fórum Rio Empreendedor, para discutir o papel do futebol na economia fluminense. No entanto, o tema que mais chamou atenção foi outro: a Libra.
Em conversa com jornalistas, Bap voltou a comentar o conflito entre Flamengo e outros clubes do bloco, especialmente com a presidente do Palmeiras, Leila Pereira. Sem citar o nome diretamente, ele relatou uma situação de falta de respeito e colaboração durante uma das reuniões da Liga.
“Na hora da discussão do seu assunto, a pessoa que posa de boazinha, generosa, inclusiva, levanta e vai embora da reunião, e diz: ‘Olha, eu vou embora, e meu voto é contra o Flamengo’. Quem bate, esquece; quem apanha, não esquece nunca. É isso que a gente tem que dizer para o torcedor médio. Isso é da vida. É parecido com a tua família, a minha, com a de todo mundo. Gentileza gera gentileza. Grosseria não gera gentileza. Todo mundo sabe quem foi.”
Bap desmente clima colaborativo e volta a criticar Leila Pereira
Segundo Bap, o episódio ocorreu na reunião de 16 de maio, que terminou sem consenso. Após o encontro, o Flamengo anunciou que se reuniria separadamente com outros clubes, mas a Libra decidiu sobre a divisão de valores sem a presença do Rubro-Negro. Isso resultou na entrada do Flamengo na Justiça e no bloqueio de pagamentos por meio de uma liminar obtida pelo clube.
O dirigente afirmou que o suposto espírito de união defendido publicamente por Leila e outros presidentes não existe nas reuniões internas.
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“Não existe esse espírito de colaboração. De coirmandade entre os clubes. Se você construir um conceito de Liga, seja pela Libra ou LFF, pode ser que a gente entenda que, algumas coisas fora de campo, a gente devia colaborar. Mas isso pressupõe amadurecimento, um comportamento diferente, uma colaboração diferente entre os clubes. Alguém que está me ouvindo faz negócio com quem não conhece? Não. Por que no futebol isso aconteceria? Você tem uma discussão super acalorada durante três horas. Você está dizendo, ‘você está levando mais dinheiro de mim do que deveria levar’. O outro dizendo, ‘não estou, vamos votar. Dane-se, vou embora antes do fim da reunião.’”
Reuniões superficiais e foco apenas em dinheiro
Bap também criticou a falta de profundidade das conversas na Libra, afirmando que os encontros são rasos e voltados unicamente à discussão de divisão de receitas. Segundo ele, temas como arbitragem e estrutura de campeonato nunca entram em pauta.
“Não houve essa parte da proposta das mudanças. O assunto não entra em pauta. Estamos há nove meses discutindo o dinheiro que o Flamengo cede aos outros. E que acho que está errado pelo critério. Não é assim, o que você vai querer de sobremesa? Eu quero filé com fritas. O que quer beber? Quero filé com fritas. Vai ficar aqui até tarde, comer uma entrada? Eu quero filé com fritas. O resto, simplesmente, não é discutido. Para você que é torcedor, para a imprensa em geral, a conversa sobre a Liga é parecida com a que estou tendo com vocês aqui: ela tem um palmo de profundidade. É só uma conversa conceitual.”
O dirigente comparou a situação atual da Libra ao antigo Clube dos 13:
“Se você não discute absolutamente nada, o que vai vir daí? Nada. É uma autocrítica, eu me incluo nisso. Os clubes reclamam da CBF, mas o que a gente faz, de fato, de proposta concreta? Nada. Ser pedra é mais fácil que ser vidraça. Dentro da Libra, não há nenhuma discussão, sobre absolutamente nada, que não seja divisão de dinheiro. Qual a diferença disso para o Clube dos 13 de 87? Nenhuma. Só estamos mais velhos, discutindo os mesmos problemas. Que o torcedor não se iluda. Essa história de que o Flamengo está asfixiando alguém, há 13 anos, a gente não tinha dinheiro para trocar uma lâmpada.”
As críticas de Leila Pereira ao Flamengo
Durante o embate entre Flamengo e Libra, Leila Pereira tem feito diversas declarações públicas contra o clube e sua diretoria. A presidente do Palmeiras afirma defender uma divisão mais equilibrada de receitas e chegou a ironizar o protagonismo rubro-negro.
“Não tem os terraplanistas, que acreditam que a Terra é plana? Agora tem os ‘terraflanistas’, que acreditam que o sistema solar gira ao redor do Flamengo. Não é assim, gente.”
Leila também afirmou que é “impossível dialogar” com o Flamengo comandado por Bap, e chegou a sugerir que o clube jogasse isolado:
“Com determinadas pessoas é impossível o diálogo. A questão não é com a instituição Flamengo, um grande clube, com grande torcida. O problema é com a atual gestão. Se um clube se acha maior que o futebol brasileiro, tem que jogar sozinho, contra o sub-20, contra ele mesmo. Quero ver a audiência.”
Mergulhe na História Rubro-Negra:
Conflito segue sem solução
As trocas de declarações mostram que o conflito entre Flamengo e Palmeiras ainda está longe de terminar. Enquanto Bap acusa Leila de promover um discurso falso de união, a presidente alviverde tenta fortalecer sua imagem com um tom mais “coletivo”.
O processo judicial e as divergências sobre a distribuição de receitas da Libra continuam, e o tema é acompanhado de perto pelo CEO do projeto, Silvio Matos. O futuro da Liga, por enquanto, segue indefinido — e com o Flamengo no centro da discussão.













