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Flamengo muda rota no mercado após veto e aposta em reforços “nível Europa”

Fracasso em contratação inicial pressiona Boto, mas clube responde com contratações de peso e gastos acima do orçamento

Michael Johnston, em campo pelo West Bromwich
Michael Johnston, em campo pelo West Bromwich'

Após uma reviravolta na sua estratégia de contratações, o Flamengo tem sido protagonista no mercado da bola com investimentos pesados e contratações vindas da elite do futebol europeu. A guinada ocorreu depois que o clube decidiu abortar a chegada de um jogador considerado de nível inferior, fato que acabou mudando os rumos do planejamento e, de quebra, aliviando a pressão sobre o diretor de futebol José Boto, que vinha sendo criticado internamente após o episódio envolvendo Mikey Johnston.



Inicialmente, o Flamengo se preparava para anunciar Mikey Johnston, atacante do West Bromwich, como primeiro reforço da janela. O jogador, que custaria cerca de 5 milhões de libras (quase R$ 37 milhões), já estava com viagem marcada ao Brasil. No entanto, a repercussão negativa da possível chegada de um atleta irlandês, pouco conhecido e atuando na Segunda Divisão inglesa, levou o clube a recuar e cancelar a negociação.

A decisão de vetar o negócio partiu do presidente Rodolfo Landim, o Bap, que interveio de última hora. A atitude gerou insatisfação em José Boto, que cogitou deixar o cargo. Nos bastidores da Gávea, houve até quem pedisse sua demissão. No entanto, o conflito foi amenizado após uma conversa direta entre os dirigentes. “Tudo sob controle, nada vai mudar”, declarou Bap ao ge, em 8 de julho. A partir de então, o clube passou a mirar mais alto e liberou recursos para contratações de peso.



Caixa cheio e discurso flexível

Se no começo do ano o discurso era de contenção de despesas, agora a situação financeira favorável permitiu ousadia. As vendas à vista de Gerson para o Zenit, de Wesley para a Roma, além da premiação pelo Mundial de Clubes, renderam quase meio bilhão de reais. Mesmo assim, a fala recorrente no clube era: “ter dinheiro não significa que precisa gastar”.

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Mas os planos mudaram. Diante de um elenco com várias baixas — oito desfalques na última partida contra o Bragantino —, a diretoria decidiu agir para manter o nível competitivo e não perder força na disputa pelos títulos do segundo semestre. Um exemplo foi a chegada de Saúl Ñíguez, mesmo sem um substituto imediato para Gerson estar nos planos iniciais. A justificativa era de que Luiz Araújo supriria a função, mas o espanhol, de estilo similar ao do Coringa, foi contratado.



Gastos acima do previsto no orçamento

Mesmo sem ter publicado o orçamento oficial de 2025 no portal de transparência, o Flamengo já estourou o teto previamente aprovado. A nova diretoria, eleita no fim do ano passado, refez as projeções e estipulou o montante de 25 milhões de euros (R$ 162,5 milhões) para investimento em direitos econômicos de atletas. No entanto, até agora, o clube já desembolsou R$ 314 milhões.

Veja os valores das principais contratações:

– Juninho: R$ 34,2 milhões

– Emerson Royal: R$ 58,5 milhões

– Samuel Lino: R$ 143 milhões

– Carrascal: R$ 78 milhões



Os valores pagos em luvas a jogadores que chegaram sem custos de transferência — como Danilo, Alex Sandro, Jorginho e Saúl — não entram nesse cálculo, já que são diluídos nos salários.

A tendência é que o clube leve essa suplementação de gastos ao Conselho Deliberativo, o que não deve ser problema. A meta de vendas era de 35 milhões de euros (R$ 227,5 milhões), mas com as negociações de Alcaraz, Gerson e Wesley, o Flamengo já arrecadou 65 milhões de euros (R$ 422,5 milhões), sem contar bônus.

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Última contratação e foco mais pontual

O reforço mais recente foi o atacante Samuel Lino, vindo do Atlético de Madrid. O Rubro-Negro desembolsará 22 milhões de euros (R$ 143 milhões), mais bônus por metas. Com isso, o clube deve reduzir o ritmo nas negociações, mas continua atento a boas oportunidades de mercado.

Até agora, o clube trouxe reforços para a lateral-direita, o meio-campo e a ponta-esquerda. Apesar disso, José Boto também procurou opções para o comando de ataque. Um dos nomes procurados foi Taty Castellanos, da Lazio, mas os italianos não quiseram negociá-lo. Lucas Beltrán, da Fiorentina, também chegou a interessar, mas as conversas não avançaram.

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