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Leonardo Jardim celebra vantagem do Flamengo na Libertadores e pede atenção para sequência

Treinador destacou força do elenco após vitória em Quito e já voltou as atenções para o confronto com o Corinthians

Leonardo Jardim em entrevista após vitória do Flamengo sobre o Del Valle em Quito
Leonardo Jardim em entrevista após vitória do Flamengo sobre o Del Valle em Quito

O Flamengo conquistou uma importante vantagem nas quartas de final da Libertadores ao derrotar o Independiente del Valle por 2 a 0, nesta quinta-feira, em Quito, no Equador. Bruno Henrique e Léo Pereira marcaram os gols que colocaram o Rubro-Negro em situação favorável na disputa por uma vaga nas semifinais. Mesmo assim, Leonardo Jardim adotou cautela ao avaliar o resultado.



O treinador português admitiu que sua equipe encontrou problemas durante a etapa inicial, mas revelou que já esperava uma queda de intensidade dos equatorianos no segundo tempo. Foi justamente depois do intervalo que o Flamengo conseguiu construir os dois gols da vitória.

— Nós tivemos alguma dificuldade na primeira parte. Pelo jogo, pela altitude e pela velocidade da bola, mas principalmente pela dinâmica. O adversário conseguiu ter mais a bola, conseguiu fazer mais triangulações. E nós tivemos menos a bola. Sabíamos que ia ser um teste difícil. Não é por acaso que, de 2020 até hoje, o Flamengo empatou e perdeu duas vezes aqui. É sempre um jogo difícil – disse ele.

Jardim explicou que a estratégia para a etapa complementar considerava justamente o desgaste do Del Valle. Com maior presença rubro-negra com a bola, o treinador viu sua equipe se aproximar das características que costuma apresentar.

— No segundo tempo, falamos que o adversário ia diminuir um pouco a intensidade e a gente ia ter um pouco mais a bola. Tendo mais a bola, estamos mais dentro do que é o nosso jogo e as nossas dinâmicas. Foi isso que aconteceu. Acabamos sendo superiores na segunda parte, fizemos os dois gols de forma justa. Demos um passo importante, não decisivo, na eliminatória – completou Leonardo Jardim.



O português também deixou claro que o foco imediato será a recuperação física, já que o calendário reserva rapidamente outro compromisso importante.

— Agora vamos recuperar muito bem porque, daqui a dois dias, temos mais um clássico, um jogo importante no campeonato – concluiu.

Flamengo terá Corinthians antes da decisão da Libertadores

O próximo compromisso rubro-negro será no domingo, diante do Corinthians, pelo Brasileirão. A partida começa às 17h30 (horário de Brasília), no Maracanã. Já o segundo confronto das quartas de final contra o Independiente del Valle acontecerá na quinta-feira da próxima semana, novamente no Maracanã.

Jardim explica escolha por Royal e situação de Varela

Durante a entrevista coletiva, Leonardo Jardim também falou sobre sua decisão de deixar Varela no banco. O técnico ressaltou que está satisfeito com as duas opções disponíveis para a lateral direita e explicou por que Emerson Royal se encaixava melhor nos confrontos fora de casa contra Remo e Del Valle.



— Eu já fui claro sobre os dois jogadores que tenho à direita. Extremamente satisfeito, dois jogadores diferentes, mas de grande qualidade. A opção destes dois jogos fora, contra Remo e Del Valle, era uma opção pois tínhamos que ter alguma atenção no jogo aéreo, fechar bem no segundo poste, termos algumas situações mais físicas. Encaixava muito bem no perfil do Royal. E também, as pessoas não sabem, mas no jogo contra o Mirassol houve um toque no Varela, que ficou dois dias sem treinar.

Além da questão tática, Varela vinha convivendo com dores. Jardim contou inclusive o diálogo que manteve com o jogador antes de colocá-lo em campo diante do Del Valle.

— Treinou depois com muita dificuldade. Mesmo hoje para entrar, se vocês repararem, perguntei a ele: “Como está? Vai dar para fazer?” Ele disse “vai dar, ainda me dói um pouco, mas vou no sacrifício”. Por isso, ele entrou, senão eu teria que optar talvez pelo Danilo, seria outro tipo de situação. Mas são dois jogadores de grande qualidade. Muito satisfeito estão o Flamengo e o treinador por terem dois jogadores destes para a mesma posição.

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Desgaste físico preocupa antes do Corinthians

A sequência apertada do calendário também foi abordada pelo comandante. Com somente dois dias para recuperação e uma longa viagem pela frente, Jardim entende que a profundidade do elenco do Flamengo será fundamental para enfrentar tantos compromissos.

— Com certeza o desgaste é um desgaste efetivo, só dois dias de recuperação, uma viagem grande e de muitas horas. Vocês viram a dificuldade dos jogadores. Desgaste por correr, lutaram, trabalharam por 90 minutos. Até o jogo de domingo, é descanso, principalmente. Depois, aproveitar algumas peças que jogaram menos hoje, ou menos tempo, para tentar recuperá-las para o pós-jogo do Corinthians. É por isso que o que tem que fazer a diferença no Flamengo é o seu elenco, numa loucura dessas em que sempre temos que jogar no meio de semana, e sempre com a responsabilidade de ganhar os jogos.

Jardim analisa favoritismo do Flamengo na Libertadores

Questionado sobre o Flamengo ser o grande favorito, Jardim voltou inicialmente à influência da altitude. O treinador explicou que a equipe precisa atuar de maneira mais compacta nessas condições para evitar um jogo de transições que provoque ainda mais desgaste.

— Eu acho que a altitude é sempre um fator que a gente tem que ter em conta. Já aconteceu no Cusco e temos que ter algumas ideias que não podem deixar de existir na equipe para não entrarmos no jogo de altitude que é o jogo de transição e a provoca-nos grande desgaste. É um jogo que a equipe tem que estar muito mais compacta do que habitualmente. E nós trabalhamos isso, já tínhamos feito em Cusco, fizemos hoje e aproveitamos a segunda parte,. Fizemos uma grande segunda parte, a primeira parte mais do sacrifício, mais em termos posicionais defensivos, não conseguirmos outras saídas, não tivemos o engenho para conseguir ter saídas com mais qualidade.

Apesar da vantagem, Jardim ressaltou que o confronto do Maracanã exigirá a mesma responsabilidade. O português ainda projetou cerca de 60 mil torcedores apoiando o time na tentativa de chegar à semifinal e lembrou a dificuldade de conquistar a Libertadores em temporadas consecutivas.

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— Na segunda parte, com uma bola, estivemos mais perto da nossa forma de jogar e acho que ganhamos mais justificamos dar-nos um passo importante, mas com certeza o jogo no Maracanã será o outro jogo e temos que ter a mesma responsabilidade daquela que vemos aqui. E com a ajuda de daqueles 60 mil que eu acredito que vão estar presentes para nos ajudar a qualificar a equipe para a semifinal. Em relação a favoritos, com certeza que o campeão do ano anterior é sempre um favorito. Mas vocês sabem da dificuldade de conquistar duas vezes a Libertadores. Por isso a gente tem que pensar jogo a jogo, ter maturidade e saber que somente com intensidade de trabalho, um grupo forte, que a gente consegue chegar ao fim.

Valencia é aposta para presente e futuro

Leonardo Jardim também comentou os dois equatorianos do elenco. Sobre Valencia, o técnico afirmou que o jovem faz parte de uma estratégia que não se limita a contratar jogadores já prontos e de alto valor, mas também contempla atletas que possam ser desenvolvidos pelo clube.

— Em relação ao Valencia, é um jovem jogador que acreditamos, achamos que vai nos ajudar no presente e também é uma aposta no futuro. Dentro da lógica que estava explicando, é fácil trazer um jogador de valor elevado e colocar para jogar, mas também tem que ter jogadores no elenco para a gente desenvolver, que serão peças importantes no futuro. O Valencia está nesse grupo de jovens em que queremos apostar.

Jardim comemora permanência de Gonzalo Plata

Ao falar sobre Plata, o treinador não escondeu a satisfação pelo fato de o equatoriano ter permanecido no Flamengo. Jardim destacou características como intensidade, competitividade, agressividade na busca pela bola e capacidade de oferecer uma dinâmica diferente ao setor.

— Em relação ao Plata, fiquei feliz por ele não ter saído porque é um jogador de muita intensidade, agressivo na procura da bola. É um jogador que dá dinâmica diferente dos outros, hoje deu dinâmica diferente do Carrascal no corredor. Por isso, fico satisfeito de ter essa opção, por ser um jogador competitivo e por estar conosco até o fim da temporada para ajudar-nos nos objetivos.

Escalações podem mudar de acordo com cada adversário

Perguntado se a combinação entre Royal e Carrascal ainda precisava ser aprimorada, Jardim explicou sua maneira de enxergar a formação ideal. Para o treinador, a melhor escalação depende das características de cada confronto. Por isso, o time utilizado contra o Del Valle não foi o mesmo considerado ideal diante do Remo e também não será repetido necessariamente contra o Corinthians.

— (A escalação) ideal para este jogo foi esta. Com o Bruno na frente, Arrascaeta, Lino e Carrascal. A ideal do último jogo (contra o Remo) já não foi esta, foi outra, e contra o Corinthians vai ser outra. O importante é que nossos jogadores mostrem suas capacidades. Digo isso todas as semanas aos meus jogadores: quando se levantam troféus, o troféu não leva o nome dos jogadores. Quem é que marcou ou não, quem jogou mais ou menos. No troféu, vem “ganhou tal equipe”. Quando ganhamos algo no nosso currículo, ganhamos todos, por isso temos que lutar todos pelos objetivos da equipe. Todos no nosso elenco são de qualidade, por isso conto com todos em todos os momentos da temporada. Alguns por um motivo ou outro jogam menos, o que é normal. Mas conto com eles porque será necessário que todos mostrem qualidade, empenho e coletividade.

Leonardo Jardim explica evolução do Flamengo

Por fim, Jardim foi questionado se a equipe já apresenta a sua identidade. O português respondeu destacando que sua prioridade é montar um Flamengo competente, equilibrado e preparado para buscar a vitória independentemente dos jogadores escolhidos para começar ou entrar durante as partidas.

— O treinador tenta não atrapalhar. Em primeiro lugar, quero que a equipe seja competente, equilibrada, jogue para ganhar independentemente dos 11 que começar, ou são os que vão ajudar. Os que entraram ajudaram muito. A segunda parte foi boa também graças aos que entraram no jogo. Falei com os jogadores: “os adversário pode ter um ritmo alto no início, mas na segunda parte, se a gente entrar com 3 ou 4 jogadores e refrescar, eles não conseguem aguentar os 90 minutos”. Em relação a isso, vou ser repetitivo, vocês sabem que a gente treinou com 10 jogadores ou 11, e andavam os outros jogadores nos Estados Unidos jogando outros sem jogar. E quando eles vieram tivemos que integrá-los ao mesmo tempo. Com certeza, não estavam em forma.

O técnico encerrou sua análise defendendo a importância dos treinamentos para a evolução individual e coletiva. Jardim citou especificamente Ayrton e Lino como exemplos de jogadores cujo crescimento está relacionado ao processo de trabalho.

— Eu disse que quando tivéssemos um período para treinar, e depois desses jogos tivemos um período para treinar, o time melhorou. Aqui no Brasil não se acredita no treino. Acreditam que o jogador tem que jogar. Se tiver de férias, não interessa, tem que jogar. Eu acredito no treino porque venho de uma escola que precisa acreditar no treino. No projeto, planejamento, empenho. Não acredito no aparecimento esporádico das coisas. Um bom jogador tem que treinar bem. “Ah, o Ayrton está melhor, o Lino está melhor”. Isso é um processo. Eles treinam. Se eles não treinassem, não estariam tão bem.

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