O ex-árbitro Edílson Pereira de Carvalho, conhecido por seu envolvimento no escândalo da Máfia do Apito, voltou a ganhar repercussão ao comentar a punição aplicada a Bruno Henrique. Preso e banido do futebol por manipulação de resultados, ele demonstrou desconhecimento sobre o processo do atacante ao criticar a decisão do tribunal.
“Bruno Henrique pegou só 12 jogos? Por qual motivo? Por que nenhum jogo, então? Já que é para ser punido, que puna com criminal. Se pegou 12 aqui, tem que ser punido criminalmente. Se ele foi punido, é porque pecou, errou, ludibriou. Para mim, ele teria que ser banido. Banido”, declarou em entrevista a Duda Garbi.
Citação ao caso Paquetá
Durante a entrevista, o ex-juiz ainda mencionou Lucas Paquetá, que chegou a ser investigado na Inglaterra, mas foi inocentado.
“O Lucas Paquetá… Eu assisti aos jogos. Hoje eu assisto muitos jogos. Assisti o Lucas Paquetá; Querendo tomar cartão amarelo a torto e direito. Dando pontapé a todo lado e o árbitro não dava. Na mesma jogada, ele fez três faltas para cartão amarelo, brincando”, comentou.
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Acusações contra Bruno Henrique
Edílson recordou o lance de Santos x Flamengo, em 2023, no Brasileirão, que originou a investigação contra Bruno Henrique. Segundo ele, a falta foi “clara”, embora exista consenso de que sequer houve infração, argumento usado pela defesa do jogador.
“O Bruno Henrique, em Santos x Flamengo, foi uma falta clara”, afirmou.
O ex-árbitro ainda propagou informações falsas ao dizer que o atacante teria avisado parentes e amigos antes de forçar o cartão.
“E o Bruno Henrique, pelo Flamengo, pelo que vejo nos noticiários, o Flamengo pediu. Toma o terceiro hoje para perder o próximo. Até então, normal, todo clube faz isso para limpar para jogar aquele clássico importante. Mas não ele, o Bruno Henrique, avisar o seu irmão, seu cunhado, seus amigos, ‘olha, vou tomar o cartão amarelo e vocês apostam nesse site'”, disse, espalhando fake news.
A diferença entre os casos
Na realidade, a condenação de Bruno Henrique foi enquadrada como atitude antidesportiva, e não manipulação de resultados. O atacante apenas comentou com o irmão que forçaria o cartão amarelo, a pedido do próprio Flamengo, sem qualquer prejuízo ao clube e sem benefício em apostas.
Os autos do processo indicam que outras pessoas souberam da informação por meio do irmão de Bruno Henrique, e não diretamente pelo jogador. Por esse motivo, o camisa 27 foi punido com base no artigo 243-A do CBJD.
Recordações do escândalo
Mesmo banido, Edílson ainda relembrou a própria condenação e admitiu que sabia do fim de sua carreira ao ser investigado pela Polícia Federal.
“Os dois têm que ser banidos. Porque vão continuar. Eu fui banido, naquela sexta-feira lá em casa, chegou a Polícia Federal, eu já sabia, acabou a minha carreira. E quando eu fosse descoberto eu seria banido”, completou.
Admissão no documentário
No documentário “Máfia do Apito”, exibido pelo SporTV, o ex-árbitro confessou participação no esquema de manipulação.
“Eu mudei o campeão brasileiro. Sem a máfia do apito, a equipe campeã seria o Internacional, o campeão seria o Internacional”, revelou.
Ao todo, 11 jogos arbitrados por Edílson em 2005 foram anulados pelo STJD. Ele também mencionou a polêmica do pênalti não marcado em Tinga, do Internacional: “(O Márcio Rezende) Errou três vezes em um lance só: não deu o pênalti, não expulsou o Fábio Costa e expulsou o Tinga”.
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