O Flamengo passou quase duas semanas sem entrar em campo – desde a queda para o Bayern de Munique, em 29 de junho, até o reencontro com o São Paulo, em 12 de julho – e esse vácuo no calendário acabou virando terreno fértil para desentendimentos e boatos nos bastidores. Quem faz essa leitura é o jornalista Rodrigo Mattos, que vê o clube “fabricando” turbulência nesse intervalo prolongado sem partidas oficiais.
Na visão do comentarista, o período ocioso abre espaço para inseguranças entre dirigentes e ansiedade na torcida, provocando ruídos que não existiriam se o time estivesse competindo normalmente. “É curioso como o Flamengo arranjou essa crise. O Flamengo não pode ficar sem jogar, não é nem por uma questão de perder ritmo de jogo, é que se abrir a cabeça do torcedor, deixar vazia, sem jogos, a cabeça do torcedor, do dirigente e tal, começa a vir minhoca, e surgem essas crises que o Flamengo cria dentro de si próprio… Crise o Flamengo faz em casa”, explicou Mattos.
O repórter lembra que, mesmo liderando o Brasileiro, o clube viu pipocar notícias sobre uma suposta disposição para negociar Pedro por 15 milhões de euros, além da polêmica interrupção da contratação do irlandês Mikey Johnston. Ambos os episódios foram ligados ao diretor técnico José Boto, apontado como fonte de vazamentos e alvo de críticas após o presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, barrar a chegada do atacante.
Reuniões realizadas na manhã de terça-feira (8) no Ninho do Urubu selaram um armistício interno: Bap reafirmou que considera o trabalho de Boto positivo não só no mercado, mas também na integração com a base e no suporte diário ao elenco profissional. Dessa forma, o português segue prestigiado, e o elenco já retomou os treinos com foco total no duelo contra o São Paulo, válido pela 13ª rodada do Brasileirão.
Filipe Luís terá quatro sessões de trabalho para decidir quem suprirá as ausências de Erick Pulgar – fora por fratura no pé – e de Gerson, vendido ao Zenit. A expectativa é de que Jorginho assuma a função de primeiro volante, enquanto De La Cruz pode ganhar mais liberdade para armar, consolidando-se ao lado de Arrascaeta.
Dirigentes acreditam que resultados positivos em campo dissiparão qualquer “minhoca na cabeça” antes que ela se transforme em novo foco de tensão. A receita, segundo Rodrigo Mattos, é simples: a bola precisa voltar a rolar para que os temas desportivos voltem a dominar o noticiário rubro-negro.













