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Rumo ao Benfica, Alan Santos lembra trajetória no Flamengo e apoio da família

De promessa do Flamengo a reforço do Benfica: Alan Santos celebra nova fase da carreira

Alan Santos, jogador do sub 20 do Flamengo
Alan Santos, jogador do sub 20 do Flamengo

Alan Santos está prestes a iniciar uma nova etapa da carreira longe do Flamengo. Aos 19 anos, o atacante teve sua transferência para o Benfica, de Portugal, acertada pelo clube rubro-negro na última semana. Apesar da saída, o jogador deixa o Rio de Janeiro com sentimento de gratidão pelo espaço que recebeu e, principalmente, pela influência da família em sua formação.



“Estou no caminho do bem graças à família e ao Flamengo”.

A declaração resume parte da trajetória do jovem, que foi criado no Tabajaras, comunidade localizada na Zona Sul do Rio de Janeiro. Durante a infância, Alan encontrou na mãe, Maria, no pai, Reginaldo, e no amigo e incentivador Vinicius as referências necessárias para permanecer no caminho que considerava correto. Sem esse apoio, ele acredita que poderia ter se tornado “só mais um contador de histórias”.

Sonho de chegar à Europa e à Copa do Mundo

Alan explica que seu pai teve uma visão diferente ao ajudá-lo a construir a carreira no futebol. Segundo o atacante, muitos jovens da comunidade acabam restritos aos campeonatos locais e não conseguem enxergar possibilidades maiores.



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— Meu pai pensou fora da bolha. Dentro da favela, vejo muita gente que só quer jogar bola em campeonato de comunidade. Eu ia ficar como muitos, joguei ali, fiz tal coisa ali. Jogo bola no Flamengo e pronto. Seria só mais um contador de história. Nunca imaginaria ir pra Europa. Vou aproveitar as melhores oportunidades para dar o meu melhor. E se Deus quiser estar lá em 2030, na Copa do Mundo.

Mesmo ainda muito jovem, o atacante reconhece que passou a ser visto como uma referência pelos garotos do Tabajaras. Por isso, procura repassar aos mais novos os ensinamentos que recebeu de Reginaldo José quando decidiu apostar no futebol.

— Ele foi um cara que sempre me ajudou bastante. Ele falava: “eu não estou te obrigando, estou aqui para te apoiar. Vou te dar os conselhos. Se você quiser mesmo, você vai. Quem tem que fazer a sua vida é você”. Eu sempre corri atrás. Agora, é uma pressão e um privilégio (ser exemplo para os mais jovens). Da onde que eu sou, ser referência para outras pessoas, um menorzinho que me acompanha, consigo dar orientações do que fazer. É algo que construí ao longo do tempo.



Dispensa no Vasco virou motivação

Ao recordar a infância, Alan também contou uma experiência que acabou marcando sua relação com um dos grandes rivais do Flamengo. O jogador chegou a passar por uma avaliação no Vasco e foi aprovado, permanecendo no clube durante determinado período.

Entretanto, como tinha apenas 10 ou 11 anos, dependia do irmão para conseguir chegar aos treinamentos. Quando o irmão conseguiu emprego e deixou de ter disponibilidade para acompanhá-lo regularmente, Alan passou a faltar às atividades e acabou dispensado.

— No Vasco, fiz uma avaliação, passei e fiquei lá por um tempinho. Mas, como eu era menor, tinha 10, 11 anos, era meu irmão que me levava. Depois, ele arrumou um trabalho e não pôde mais me levar sempre. Disseram que, se eu faltasse mais um dia, não era para aparecer mais. Então, eu saí. Agora, serve de motivação. Jogar clássico é muito bom. Jogo grande é para quem é especial, para quem gosta mesmo.

Mergulhe na História Rubro-Negra:

Atuação pelo Boavista chamou atenção do Flamengo

A oportunidade de chegar ao Flamengo surgiu alguns meses depois, quando Alan ainda defendia o Boavista. Em um torneio de categorias de base, o atacante enfrentou o Palmeiras e marcou três gols. A grande atuação despertou o interesse do Rubro-Negro, que decidiu apostar na contratação do jogador.

Em 2026, Alan também participou da intertemporada do Flamengo em Portugal, realizada durante a pausa provocada pela Copa do Mundo. Além disso, Leonardo Jardim chegou a relacioná-lo para uma partida do time principal. O atacante ainda entrou em campo em três partidas do Campeonato Carioca.

Flamengo mantém 50% dos direitos do atacante

A ida de Alan Santos para o Benfica não representará custos para o clube português. Mesmo assim, o Flamengo permanecerá com 50% dos direitos econômicos do jovem, mantendo participação em uma eventual negociação futura do jogador.

O atacante revelou como recebeu a notícia da transferência. No dia em que ficou sabendo do interesse português, Alan havia treinado no Ninho do Urubu e participado de um amistoso diante do Madureira, no qual deu uma assistência.

— (No dia que soube da transferência) Eu tinha ido pro treino no Ninho do Urubu. Ia ter amistoso contra o Madureira. Entrei, amassei, dei uma assistência. Tomei meu banho e me chamaram numa sala. O gerente da base falou que o Benfica estava interessado. Eu disse que queria ir para a Europa. Aceitei. O Flamengo também estava explicando. Avisei meu pai e minha mãe e todos ficaram contentes.

Agora, Alan Santos se prepara para deixar o Flamengo e iniciar sua caminhada no futebol europeu pelo Benfica. A mudança representa um novo capítulo para o atacante, que carrega consigo a história construída no Tabajaras, os ensinamentos da família e a gratidão pelo clube que contribuiu para sua formação.

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