A participação do Flamengo na Copa do Mundo de Clubes chegou ao fim com a derrota por 4 a 2 diante do Bayern de Munique nas oitavas de final, mas a campanha nos Estados Unidos foi marcada por muitos aprendizados, destaques positivos e também pontos de atenção. O saldo, apesar da frustração com a queda precoce, traz reflexões importantes para o restante da temporada rubro-negra.
Durante sua trajetória no torneio, o Flamengo bateu o Espérance-TUN e o Chelsea, empatou com o Los Angeles FC e só foi derrotado pelo poderoso time alemão. Agora, o clube precisa assimilar as lições e usar a experiência para crescer.
O que funcionou bem
Premiação reforça o caixa
Um dos aspectos mais positivos da campanha foi o valor financeiro arrecadado. A premiação total gira em torno de R$ 153 milhões, montante considerável que chega em momento oportuno, principalmente com a janela de transferências se aproximando e com a recente venda de Gerson. Esses recursos podem ser essenciais para reforçar o elenco.
Virada histórica sobre o Chelsea
A vitória sobre o Chelsea ficará marcada como um dos grandes momentos da participação rubro-negra. Mesmo saindo atrás no placar, o Flamengo manteve sua identidade, não se intimidou e conseguiu virar o jogo com autoridade. O resultado garantiu o primeiro lugar no grupo e serviu como prova de que o clube ainda é competitivo contra gigantes europeus.
Conexão com a torcida no exterior
Disputar um torneio oficial nos Estados Unidos também proporcionou um encontro único com os milhares de torcedores rubro-negros que vivem no país. Diferentemente dos amistosos realizados em solo americano em outras ocasiões, desta vez os torcedores puderam acompanhar o Flamengo em jogos valendo muito, contra rivais de peso.
Estreia empolgante de Jorginho
Principal reforço da temporada, Jorginho assumiu a titularidade logo na estreia no torneio internacional e mostrou personalidade. Demonstrou tranquilidade, técnica e visão de jogo apurada. Seu passe vertical para Luiz Araújo marcar contra o Espérance foi um dos lances mais bonitos da campanha. Além disso, exibiu postura de liderança ao motivar companheiros em momentos difíceis.
Reabilitação de Léo Pereira
Alvo de críticas recentes, Léo Pereira se destacou na competição. Titular em três dos quatro jogos (só foi poupado contra o LAFC), o zagueiro mostrou segurança e foi peça importante na linha defensiva, inclusive no duelo contra o Chelsea, quando a defesa teve atuação sólida apesar do susto inicial.
Os pontos que deixaram a desejar
Queda precoce contra o Bayern
A eliminação para o Bayern escancarou que, apesar da qualidade do elenco, não há margem para desatenções em jogos desse nível. Nos dez primeiros minutos, o Flamengo foi completamente envolvido, levou dois gols e só então entrou na partida. Mesmo com reação posterior, os erros individuais custaram caro.
Wesley já havia cometido falha contra o Chelsea, mas foi o chute mal executado de Luiz Araújo que resultou no terceiro gol do Bayern, além da jogada errada do mesmo camisa 7 no quarto gol. Contra um adversário desse porte, os deslizes não são perdoados.
Pedro quase não atuou
Grande nome do ataque rubro-negro e convocado para a Seleção, Pedro jogou apenas 146 minutos em toda a competição — sendo que frente ao Bayern sequer entrou. A maior parte do tempo em campo foi contra adversários teoricamente mais fracos.
Mesmo voltando bem de uma grave lesão no joelho, o atacante teve pouca participação nos principais confrontos. Isso gerou questionamentos sobre as decisões de Filipe Luís quanto à sua utilização.
Arrascaeta apagado
Apesar de uma boa assistência para Gerson, Arrascaeta esteve longe do seu melhor nível. Teve atuação discreta contra o Bayern e foi substituído com pouco mais de 10 minutos do segundo tempo, repetindo o que já havia ocorrido diante do Chelsea. O desempenho levantou dúvidas sobre sua intensidade e reacendeu o debate sobre a coexistência com Pedro em campo.
Pouco espaço para outras peças
Atletas como Juninho, Michael e Everton Cebolinha quase não foram utilizados. Juninho jogou nove minutos no empate com o LAFC. Michael acumulou 49 minutos divididos entre três jogos e sequer foi acionado contra o Bayern. Já Cebolinha entrou no final do duelo com o Espérance e teve tempo considerável apenas frente ao LAFC.
Enquanto isso, jogadores como Bruno Henrique, Luiz Araújo e Gonzalo Plata ganharam mais prestígio. A falta de minutos para outros nomes reforça a diferença de confiança da comissão técnica entre os atletas do elenco.
A participação do Flamengo no Mundial não terminou com o final desejado, mas trouxe à tona diversas situações que a diretoria, a comissão técnica e o elenco precisarão analisar com cautela. Os pontos positivos mostram que há base sólida, enquanto os erros servem como alerta para os desafios que ainda virão ao longo da temporada.













